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Segue abaixo a nossa primeira entrevista, realizada com a banda sergipana The Jezebels e respondida por Daniela, em 12 de julho de 2010. Aproveitamos para agradecê-la, e esperamos estar contribuindo para a divulgação dessa banda que curtimos e esperamos ver ao vivo aqui em Salvador. A quem se interessar, estamos distribuindo o EP delas (5 reais).
1) Falando sobre a história da banda: Como surgiu a idéia de montar a banda? De onde vem o nome The Jezebels e quais são as influências?
A banda surgiu de uma vontade que eu sempre tive (e tenho) de estar dividindo experiências, tocando com garotas/mulheres. Foi uma coisa que sempre esteve na minha cabeça, que faz parte de minha formação musical e, durante muito tempo, até política. É uma coisa diferente, tem uma dinâmica bem diferente ter banda com caras e com minas, ao menos minhas experiências me mostraram isso. Daí depois de ficar procurando outras meninas com o mínimo de afinidade e que topassem tocar rock, encontrei Paula (que já conhecia há um tempo) e Paloma. Quando nos juntamos e começamos a fazer o nosso som e precisávamos de um nome, lembrei de uma ideia que eu tinha há bastante tempo: tirar o nome da banda de uma das gangues de minas do filme “Switchblade Sisters” (“Faca na Garganta”, em português). Paula já estava mais do que por dentro da história e curtia o filme também. Paloma foi apresentada à ideia e curtiu geral. Ficou o nome e, de certa forma, o conceito. Jezebels não é só o nome de uma gangue; tem a ver com a condição de mulher da qual nós três não podemos fugir. Tem a ver com insubmissão, insurgência, imoralidade, e por aí vai… Nossas influências são muitas. Digo isso não no sentido clichê de afirmar sermos ecléticas (argh!), e sim porque a gente gosta de coisas diferentes e meio que tudo isso acaba se infiltrando no som que a gente cria. As influências vão de Ramones, Blondie, Runwayas, Nikki Corvette, The Go-go’s, Bangles à Hellacopters, Thee Ultra Bimboos, Sahara Hotnights, Gore Gore Girls, Bikini Kill, Bangs e milhares de bandas femininas dos anos 90. Na verdade dá até medo falar disso e esquecer alguém!
2) Há alguma motivação especial em fazer uma banda só com integrantes garotas? Vocês tem algum envolvimento, direta ou indiretamente com o feminismo e as lutas das mulheres?
Já respondi um pouco dessa pergunta na anterior. Feminismo é – e foi – essencial para minha formação como pessoa. Duas de nós (Paula e eu) fizeram parte do grupo Wen-do Aracaju. Para nós tem sido, ao longo dos anos, uma longa jornada de envolvimento em várias “causas”. Algumas até hoje, outras acabaram por ficar pra trás. Com o Wen-do foi assim. Somos feministas e falamos disso também nas nossas letras, nos shows, quando trocamos idéias com as pessoas, enfim. Mas o grupo em si acabou. Viveu por um tempo com uma quantidade boa de meninas, mas foi se esvaindo com o tempo. Mas apesar de tudo continuamos aqui. Vivendo da maneira que a gente quer viver, sendo as mudanças que a gente quer ver no mundo. Sempre que é possível estamos fazendo algo a respeito desses e de outros temas. Participamos da coletânea do Wen-do SP com o maior prazer do mundo justamente por ajudar esse projeto que a gente ama tanto. É meio como se contribuíssemos para a história do ativismo feminista no Brasil.
3) Se sim, como vocês veem a relação entre bandas femininas e o feminismo?
Antigamente eu era super-chata e achava que todo mundo tinha que pensar igual, ser igual e etc; que todas as bandas femininas deviam ser engajadas, ativamente políticas e toda aquela bobagem de pensamento estreito. Hoje entendo que existem várias maneiras de ser feminista, de ser expressar. Hoje acho que bandas com garotas podem ser divertidas e alegres também. Não quero generalizar nada, mas o que quero dizer é que eu passei a me permitir ouvir e gostar de coisas não necessariamente políticas. Não acho que deva ser uma obrigação ser mulher, tocar e ser feminista, mas ao mesmo tempo é difícil não ser. Parece complexo mas não é. Só alguém que realmente acredita em si, que dá a cara à tapa e briga por seu lugar numa gig punk, por exemplo, consegue ir adiante.
Perguntas por: Íris, Vic e Paula.
7 Comentários até o momento
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Fodão!
adorei… curto, simples e satisfatório!
Comentário por Rodrigo julho 13, 2010 @ 4:19 amas jezebels detonam muito.
parabéns pelo blog e pela entrevista, meninas.
Breno
on a move.
Comentário por partyguest julho 13, 2010 @ 10:45 amFoda.
Gostei da entrevista e já pode reservar uma das demos pra vender, eu quero comprar.
Força!
Comentário por Antonio julho 13, 2010 @ 3:09 pmBoa entrevista, pena que curta. Dani representou demais, e digo que esse é um excelente EP, essencial a discografia de quem gosta de punkrock.
Comentário por Eduardo julho 13, 2010 @ 10:36 pm[...] sobre ressignificar a palavra sapatão (antecipando o mês da visibilidade lésbica)! – o blog na lâmina da faca também tá atualizado com uma entrevista marota com as jezebels, banda muito fera da dani de [...]
Pingback por parler femme de cara nova « parler femme julho 14, 2010 @ 6:27 amoie!
adorei a entrevista! o site ta lindo tb, parabens a tdAs!!!!
bjxxxx
go.grrrls!!!
Comentário por mah julho 18, 2010 @ 1:51 amExcelente a resposta da pergunta número 3.
Comentário por Leila agosto 20, 2010 @ 3:41 am